sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Martinho Lutero - A Lei conduz os homens a Cristo

A lei tem o propósito de conduzir os homens a Cristo, dando-lhes o conhecimento do pecado.*
O argumento a favor do "livre-arbítrio" é que a lei não nos teria sido dada se não fôssemos capazes de obedecê-la. Erasmo, por repetidas vezes você tem dito: "Se nada podemos fazer, qual é o propósito das leis, dos preceitos, das ameaças e das promessas?" A resposta é que a lei não foi dada para mostrar-nos o que podemos fazer. Nem mesmo a fim de ajudar-nos a fazer o que é correto. Diz Paulo, em Romanos 3.20: "...pela lei vem o pleno conhecimento do pecado". O propósito da lei foi o de mostrar-nos no que consiste o pecado e ao que ele nos conduz à morte, ao inferno e à ira de Deus. A lei pode destacar essas coisas. Não pode livrar-nos delas. O livramento nos chega exclusivamente através de Cristo Jesus, que nos é revelado através do evangelho. Nem a razão nem o "livre-arbítrio" podem conduzir os homens a Cristo, visto que a razão e o "livre--arbítrio" precisam da luz da lei para mostrar-lhes sua enfermidade. Paulo faz esta indagação em Galatas 3.19: "Qual, pois, a razão de ser da lei?" Entretanto, a resposta de Paulo à sua própria pergunta é o contrário da resposta que você e Jerônimo dão. Você diz que a lei foi dada a fim de provar a existência do "livre-arbítrio". Jerônimo diz que ela tem o propósito de restringir o pecado. Mas Paulo não diz nada disso. Seu argumento todo é que os homens precisam de graça especial para combaterem contra o mal que a lei desvenda. Não pode haver cura enquanto a enfermidade não for diagnosticada. A lei é necessária para fazer os homens perceberem a perigosa condição em que estão, a fim de que anelem pelo remédio que se encontra somente na pessoa de Cristo. Portanto, as palavras de  Paulo, em Romanos 3.20, podem parecer muito simples, mas elas têm poder suficiente para fazer com que o  "livre-arbítrio" seja total e completamente inexistente. Diz Paulo em Romanos 7.7: ''.. .pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás". Isso significa que o "livre-arbítrio" nem mesmo reconhece o que o pecado é! Como, pois, poderia chegar a conhecer o que é certo? E, se não sabe reconhecer o que é certo, como poderia esforçar-se por fazer o que é certo?

* Trecho do excelente livro "Nascido Escravo" publicado pela Editora Fiel