quinta-feira, 10 de março de 2011

A imutabilidade de Deus e a eleição

Por Eric Nascimento de Souza
A imutabilidade é um dos atributos intrínsecos de Deus, algo inerente à Sua própria natureza (Ml 3.6). Por imutabilidade consideramos que o Senhor não muda, ou seja, pela Sua perfeição nada é acrescentado ou diminuído na Sua personalidade. Não há como Deus mudar de opinião – pois eternamente Seus propósitos determinados são perfeitos – Não há como Ele ser “pego desprevenido” – pois, Ele trabalha de dia e de noite e a tudo conhece e perscruta (Jó 28.24). Alguns poderiam pensar: Então, seria um Deus estático, observador de tudo o que já determinou? Não, é um Deus dinâmico que interage com Sua criação direcionando-os aos Seus santos propósitos (Jó 42.2 e Is 19.17; 41.4). Outros diriam: E as observações de tristeza e outros sentimentos que o Senhor revela em Sua Palavra? Seriam antropopatismos¹, uma forma de comunicação, para quem estiver lendo perceber Sua intenção, Sua posição e Seu entendimento; o que Lhe agradaria ou não. Seria a forma mais simples de se comunicar com Suas criaturas – mostrando “possíveis reações inteligíveis”, concedendo-Lhes instruções, advertências e correções (2 Tm 3.16).
Observe que pressupondo Sua imutabilidade ratificamos a eleição que por muitos é negligenciada. Uma pessoa poderia converter-se sem o conhecimento de Deus, deixando-Lhe surpreso? Não. Porque é Deus quem converte (Jr 31.18, Tt 3.7, Ef 2.8). Observe que não há como surpreendê-Lo, o Senhor não está observando estaticamente Sua criação, Ele age ativamente de acordo com a Sua vontade (Jo 1.13), portanto Sua imutabilidade permanece (não houve mudança de planos).  Uma pessoa já convertida poderia abandonar o Evangelho por um motivo qualquer, deixando-Lhe chocado? Não. Teríamos que supor erroneamente que houve apostasia² e que esta pessoa pudesse resistir a Deus. Portanto, esta pessoa nunca foi convertida – Deus não foi resistido. Não houve decréscimos nos eleitos por Deus, Seus números permanecem imutáveis e o tempo em que cada ser humano será chamado (ou não) permanece imutável, pois tudo é perfeito; e no caso específico, esta pessoa nunca foi chamada por Ele (pode ser chamada posteriormente, conforme os Seus planos).
 Acredito que as respostas negativas diretas (sem as argumentações) das perguntas anteriores seriam confirmadas pela maioria dos cristãos (e até alguns não cristãos); portanto, o raciocínio ou as inferências levam ao conceito da eleição e confirmam a imutabilidade ou vice-versa. Alguns ainda afirmariam: não é bem assim, Deus não elegeu ninguém, Ele conhece todos e já sabe (de antemão) quais serão aqueles que irão se converter e aqueles que não irão. Este é um argumento sem qualquer base bíblica para afirmá-lo. É uma mera suposição que contrasta diretamente com capítulos inteiros da revelação de Deus (veja Rm 9). Fora o fato especulativo deste argumento, tem-se alguns detalhes que não podem ser descartados para destruir tal declaração equivocada: Quem escolheu onde nascer? Melhor, quem escolheu nascer? Quando morrer? Qual família pertencer? Em que contexto social se encontrar? Qual país? Aspectos físicos? Será, que alguém diria “eu escolhi!” ou classificaria tais questões como pontos supérfluos no desenvolvimento de nossas vidas? Estes pontos – ausentes de nossas vontades – não seriam importantes para o nosso crescimento político-social-econômico? Para o contato com o Evangelho (há países que proíbem a pregação do Evangelho)? Então, quem os determina? O Senhor (1 Sm 2.6-8). Mesmo que nós tenhamos a nossa vontade de escolha, esta foi determinada por Deus, não foi uma escolha livre de Deus, foi uma escolha guiada (mesmo que sintamos liberdade em fazê-las) para os propósitos imutáveis de Deus (Is 48.17 e Pv 16.9).
Considerando o conhecimento e os planos de Deus como imutáveis (não podem ser melhorados ou alterados de quaisquer formas), Suas vontades e Seus princípios morais permanecem os mesmos. Sendo Sua vontade perfeita e totalmente santa e Seus princípios morais justos, temos que quaisquer determinações e ações diretas nos indivíduos e em seus ambientes são perfeitos, justos e santos para os propósitos divinos. A eleição torna-se bíblica e perfeita, pois não atende aos caprichos pessoais de um homem pecaminoso, mas a volição de um Deus Santo e bom. O cristão entendendo tal fato, torna-se consciente de sua segurança em Cristo, agradecido pela Sua misericórdia e ávido a proclamar este Deus ativo e soberano pelo mundo.
Concluindo, a imutabilidade de Deus relaciona-se perfeitamente com Sua eleição, já que Seus decretos são eternos (antes de nós), e correspondem a plenitude e a perfeição, não havendo como corrigi-los ou alterá-los ao longo do tempo. A eleição está definida, não pode ser alterada. Os que Deus escolheu pela Sua Graça serão Dele. A própria imutabilidade de Deus respalda esta afirmação. Portanto, tanto na eleição (escolha dos salvos e não salvos) como em quaisquer outros pontos doutrinários, Deus já determinara sua influência, permanência e execução; não havendo variações Nele (Tg 1.17).
¹ Atribui-se a Deus emoções, paixões e desejos humanos (Gn 6.6; Dt 13.17).
² Apostasia (em grego antigo απόστασις [apóstasis], "estar longe de") não se refere a um mero desvio ou um afastamento em relação à sua e à prática religiosa. Tem o sentido de um afastamento definitivo e deliberado de alguma coisa, uma renúncia de sua anterior fé ou doutrinação. Pode manifestar-se abertamente ou de modo oculto. Fonte: Wikipédia.