segunda-feira, 18 de abril de 2011

Vincent Cheung - A natureza da Escritura

Devemos enfatizar a natureza verbal ou proposicional da revelação bíblica. Numa época em que muitos menosprezam o valor de palavras, em prol de imagens e sentimentos, devemos notar que Deus escolheu se revelar através das palavras da linguagem humana. A comunicação verbal é um meio adequado de transmitir informação de e sobre Deus. Isto não somente afirma o valor da Escritura como uma revelação divina significante, mas também o valor da pregação e da escrita como meios para comunicar a mente divina, como apresentada na Bíblia.

A própria natureza da Bíblia como uma revelação proposicional, testifica contra as noções populares de que a linguagem humana é inadequada para falar sobre Deus, que as imagens são superiores às palavras, que a música tem valor maior que o da pregação, ou que as experiências religiosas podem ensinar mais a uma pessoa, sobre as coisas divinas, do que os estudos doutrinais.

Alguns argumentam que a Bíblia fala numa linguagem que produz vívidas imagens na mente do leitor. Contudo, esta é somente uma descrição da reação de alguns leitores; outros podem não responder do mesmo modo às mesmas passagens, embora eles possam captar a mesma informação delas. Assim, isso não conta contra o uso de palavras como a melhor forma de comunicação teológica.

Se imagens são superiores, então, por que a Bíblia não contém nenhum desenho? Não seria a sua inclusão a melhor maneira de se assegurar que ninguém formasse imagens mentais errôneas, se são elas deveras um elemento essencial na comunicação teológica? Mesmo se imagens fossem importantes na comunicação teológica, o fato de que Deus escolheu usar palavras-imagens ao invés de desenhos reais, implica que as palavras são suficientes, se não superiores. Mas além de palavras-imagens, a Escritura também usa palavras para discutir as coisas de Deus em termos abstratos, não associados com quaisquer imagens.

Uma figura não vale mais do que mil palavras. Suponha que apresentemos um desenho da crucificação de Cristo a uma pessoa que não tenha qualquer background cristão. Sem qualquer explicação verbal, seria impossível para ela constatar a razão para sua crucificação e o significado dela para a humanidade. A imagem em si mesma não mostra nenhuma relação alguma entre o evento e qualquer coisa espiritual ou divina. Ela não mostra se o evento foi histórico ou fictício. A pessoa, ao olhar para o desenho, não saberia se o ser executado à morte era culpado de algum crime, e não haveria como saber as palavras que ele falou enquanto estava na cruz. A menos que haja centenas de palavras explicando a figura, a imagem, por si só, não tem nenhum significado teológico. Mas, uma vez que há muitas palavras para explicá-la, alguém dificilmente necessitará de imagem.

Extraído do livro "Teologia Sistemática".

Nenhum comentário:

Postar um comentário