quinta-feira, 2 de junho de 2011

Felipe Sabino de A. Neto - O calvinista e 1Ts 5:18

 “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5:18).

O versículo transcrito acima apresenta uma das muitas ordenanças divinas que é freqüentemente ignorada até mesmo pelos cristãos professos. Ali lemos: “Em tudo, dai graças”. O objetivo deste breve artigo é mostrar que o mandamento desse versículo é mais facilmente cumprido quando compreendemos o relacionamento de Deus com os homens, conforme revelado na Escritura, ou seja, quando compreendemos e cremos que Deus é a causa primária de tudo o que acontece, tanto coisas boas quanto más.

Quando um arminiano vê alguém se entregar a Cristo, confiando de todo o seu coração no que a Escritura diz a respeito dele e do seu Criador, por que ele haveria de dar graças a Deus? Afinal de contas, não foi do homem a decisão final? Não foi o exercício do seu livre-arbítrio que fez a diferença entre ele e aqueles que ainda permanecem incrédulos? Contudo, o bom calvinista pode muito bem cumprir o mandamento de “em tudo, dai graças”, pois sabe que Deus é aquele que opera tanto o querer como o efetuar naqueles que ele ama, e é quem concede soberanamente o dom precioso da fé (Filipenses 2:13, Efésios 2:8, Hebreus 12:2).  

Quando um arminiano passa por alguma dificuldade, como pode cumprir o mandamento desse versículo, já que no seu entender a dificuldade nada mais é que decorrência da casualidade, reflexo de algum ato seu ou mesmo produto da incapacidade divina de contornar o problema (dependendo do arminianismo dele)? Contudo, o bom calvinista, crente na Escritura, está cônscio de que todas as coisas cooperam para o seu bem (Romanos 8:28), que Deus muitas vezes decreta o mal para o nosso bem (Gênesis 50:20) e que até mesmo o mal está debaixo do seu controle absoluto (Isaías 45:7).

Quando um arminiano recebe alguma dádiva na vida terrena, como pode dar graças a Deus, posto que pela lógica da sua crença Deus está simplesmente recompensando a sua fidelidade? Contudo, o bom calvinista, conhecendo o seu próprio coração, e crendo no ensino bíblico da condição humana depravada, louva a Deus e dá graças pelas dádivas recebidas da mão do seu Pai celestial. Tendo recebido a fé, soberanamente concedida por Deus, crê e confessa que toda boa dádiva e todo dom perfeito procede de Deus (Tiago 1:17), e que ele concede as suas bênçãos indistintamente, tanto a bons como maus, conforme lhe apraz (Mateus 5:45). Assim, o temente a Deus tem motivos plausíveis para dar graças em tudo!

E você? A sua crença no livre-arbítrio e na capacidade humana tem lhe impedido de dar graças a Deus em tudo? Ou a sua felicidade e gratidão a Deus em tudo contradizem a sua teologia? Que Deus nos leve ao reconhecimento da sua soberania, e que assim possamos dar graças a ele em tudo. E se ele já tiver feito isso com você, eis mais um motivo de gratidão!