segunda-feira, 20 de junho de 2011

Gordon H. Clark - Metodologia Bíblica

Neste ponto, deve-se deixar claro que a metodologia da presente dissertação é bíblica. Não têm parte nela nem a teolo­gia natural derivada da ciência nem a teologia mística derivada da dita experiência religiosa. O conteúdo desta teologia proce­de inteira e somente da Bíblia.

Não é possível enfatizar demais a metodologia bíblica. A título de ilustração, supondo-se a existência de Deus, mui­tas pessoas, às vezes de modo loquaz, produzem declarações sobre ele. Os liberais, e até mesmo pastores conservadores, dizem de forma sentimental: "Deus ama todo o mundo". No meio de uma conversa, certo presbítero declarou que o hin­duísmo possui "valor redentor". A declaração não contém a palavra Deus, mas reflete a crença no que Deus é e como ele opera em nível mundial. A toda hora as pessoas fazem declara­ções sobre Deus. Portanto, o crente é obrigado a conhecer um pouco de teologia, caso contrário será um soldado ausente do posto sem permissão para isso. No jargão militar antigo, deve­mos cingir os lombos com a teologia, sem nos esquecermos da couraça da justiça e do escudo da fé, usando o capacete da salvação e portando as armas de defesa. Mas seremos inúteis se não tomarmos na mão a Palavra de Deus, com a qual começa o parágrafo. Para enfatizar a ideia fundamental e indispensável do princípio Sola Scriptura é a maneira essencial e metodológica de pensar sobre o que é lógico e religioso.

Então, se quisermos conhecer Deus é indispensável levar criteriosamente em conta a metodologia. O método usado neste livro e a teologia resultante dele são bíblicos. O princípio e a pressuposição vitais são a consideração da Bíblia como revelação divina. Nela Deus nos concede a informação que deseja que tenhamos. Nossa tarefa é coletar versículos e passagens da Bíblia, entendê-los preliminarmente e depois sistematizar o conteúdo. A menos que Deus seja irracional, não podemos nos contentar com dados desarticulados e desconexos. Entender os fatos é mais que um recurso preliminar, eles precisam ser classificados, sistematizados, organizados: "Deus não é de confusão... Tudo, porém, seja feito com decência e ordem" (1Corintios 14.33,40). Papel de parede, lata de pregos, pia de cozinha, pilha de tijolos e sacos de cimento não significam a casa bem edificada. Esses materiais têm de ser unidos de maneira lógica, se quisermos uma casa para morar. Da mesma maneira, o crente pode memorizar versículos de vários livros da Bíblia; pode conhecer o versículo mais curto e o capitulo mais longo; pode ter entendimento elementar da expiação; sim, sua mente pode ser uma confusão de materiais de construção espalhados de forma aleatória. O material de construção é indispensável, mas é melhor viver em uma casa.

Extraído do livro “Em defesa da teologia” da editora Monergismo.