quinta-feira, 14 de julho de 2011

John Hendryx - Uma Explicação Simples de Monergismo

Monergismo simplesmente significa que é Deus quem faz com que os ouvidos ouçam e os olhos vejam. É Deus somente quem dá iluminação e entendimento de Sua palavra para que possamos crer; é Deus quem nos ressuscita dos mortos, que circuncida o coração; abre os ouvidos; é Deus somente quem pode nos dar um novo senso para que possamos, por fim, ter a capacidade moral de contemplar Sua beleza e excelência inigualável. O apóstolo João registrou Jesus dizendo a Nicodemus que nós naturalmente amamos as trevas, odiamos a luz e NÃO VAMOS para a luz (João 3:19,20). E visto que nossa dura resistência a Deus está assim fixada em nossas afeições, somente Deus, por Sua graça, pode amavelmente mudar, sobrepujar e desarmar nossa disposição rebelde. O homem natural, aparte da obra despertadora do Espírito Santo, não virá a Cristo por si mesmo, visto que ele está em inimizade com Deus e não pode entender as coisas espirituais. Lançar luz nos olhos cegos de um homem não o capacitará a ver, visto que, como todos sabemos, a vista requer novos olhos ou alguma restauração de sua faculdade visual. Da mesma forma, ler ou ouvir a palavra de Deus por si mesmo não pode produzir fé salvadora no leitor (ou ouvinte), a menos que o Espírito primeiro “germine” a semente da palavra no coração, por assim dizer, que então infalivelmente originará a nossa fé e união com Deus. Como Lídia, a quem “o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia ” (Atos 16:14), Ele deve também dar ao Seu povo vida e entendimento espiritual se seus corações hão de ser abertos e assim se voltar (atender, responder) a Cristo em fé.

Definição

A definição do dicionário Century de monergismo pode ser útil:
“Na teologia, [monergismo é] a doutrina de que o Espírito Santo é o único agente eficaz na regeneração [o novo nascimento] que a vontade humana não possui inclinação para a santidade até ser regenerada [nascida de novo] e, portanto, não pode cooperar na regeneração”.

Etimologia

A palavra “monergismo” consiste de duas partes principais. O prefixo grego “mono” significa “um”, “único”, ou “sozinho”, enquanto o sufixo “ergon” significa “trabalhar”. Tomando juntos significa “o trabalho de um [indivíduo]”.
Então, para simplificar, monergismo é a doutrina de que o nosso novo nascimento (ou “despertamento”) é obra de Deus, o Espírito Santo somente, com nenhuma contribuição do homem, visto que o homem natural, de si mesmo, não tem nenhum desejo por Deus e não pode entender as coisas espirituais (1 Coríntios 2:14, Romanos 3:11,12; Romanos 8:7; João 3:19, 20). O homem permanece resistente a todos os chamados externos do evangelho até que o Espírito venha para nos desarmar, nos chamar internamente e implantar em nós novas e santas afeições por Deus. Nossa fé vem somente como o resultado imediato do Espírito operando em nós ao ouvir a proclamação da palavra. Mas assim como Deus não nos força a ver contra a nossa vontade quando Ele nós dá olhos físicos, assim também Deus não nos força a crer contra a nossa vontade quando nos dá olhos espirituais. Deus nos dá o dom da visão e nós desejosamente o exercitamos.

Aplicação
Monergismo tira toda a esperança de nós mesmos, revela nossa falência espiritual, aparte de Cristo, e assim nos leva a dar toda a glória a Deus pela nossa salvação. Enquanto pensarmos que contribuímos com algo, mesmo com algo muito pequeno (como boas intenções), então ainda pensaremos que Deus nos salva por algo bom que Ele vê em nós e não em nosso próximo. Mas este não é claramente o caso. Nós somos todos pecadores e não podemos nos vangloriar em nada diante de Deus, incluindo o desejo de ter fé em Cristo (Filipenses 1:29, Efésios 2:8, 2 Timóteo 2:25). Pois, por que nós temos fé e o nosso próximo não? Considere isto. Nós fizemos um uso melhor da graça de Deus do que ele o fez? Nós somos mais espertos? Mais sensíveis? Alguém ama naturalmente a Deus?

A resta é “não” a todas as perguntas acima. É a graça de Deus que nos faz diferir do nosso próximo e é a graça de Deus que origina a nossa fé, não porque sejamos melhores ou tenhamos mais discernimento.
O fato é que quando o Espírito nos capacita para ver que falhamos em cumprir a santa lei de Deus, o homem se desesperará totalmente de si mesmo Então, como C.H. Spurgeon disse:
“... o Espírito Santo vem e mostra ao pecador a cruz de Cristo, lhe dá olhos ungidos com colírio celestial, e diz, “Olhe para aquela cruz. Aquele Homem morreu para salvar pecadores; você sente que é um pecador; Ele morreu para te salvar”. E então o Espírito Santo capacita o coração para crer, e para vir a Cristo”.
Para concluir, “...ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor! senão pelo Espírito Santo” (1 Coríntios 12:3). ...que é o depósito que garante o que há de vir (2 Coríntios 5:5). Assim, deveria ser claro para nós que nem todos recebem esta benção redentora de Cristo. Deus a concede misericordiosamente a quem Ele quer, segundo o Seu soberano e bom propósito (Romanos 9:15-18; Efésios 1:4, 5). O resto continuará em sua rebelião deliberada, fazendo escolhas segundo os seus desejos naturais e assim recebendo a ira da justiça de Deus. Este é o porquê dela ser chamada “misericórdia” não leva em conta o que merecemos. Se Deus fosse obrigado a dá-la a todos os homens, então ela não mais seria misericórdia por definição. Isto não deveria nos surpreender...o que deveria nos surpreender é o amor maravilhoso de Deus, ou seja, que Ele salve um pecador como eu.

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: http://monergismo.com