quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Natan de Oliveira - A porta estreita

"Então, disse Natã a Davi: Tu és o homem. Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul; Dei-te a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teus braços e também te dei a casa de Israel e de Judá; E, SE ISTO FORA POUCO, EU TERIA ACRESCENTADO TAIS E TAIS COISAS. Por que, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que era mau perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom." 2 Samuel 12.7-9

A escritura é um livro cujos textos isolados não podem de forma alguma serem interpretados fora de contexto, e sem que antes os mesmos tenham sido harmonizados com outros que falem do mesmo assunto.

O texto acima é um exemplo disto, Davi tinha acabado de cair em adultério e Deus através do profeta Natã o estava repreendendo e mais ou menos lhe dizendo que se ele tivesse pedido mais esposas, Deus mesmo as teria dado... mas que de forma alguma ele poderia ter pego para si a mulher de Urias.

Isto significa que hoje, no tempo presente, poderemos fazer o mesmo tipo de oração?

É certo que muitos homens optariam em orar assim... "Dá-me mais esposas...".

Mas este texto é preciso ser contextualizado para uma época onde a poligamia era pacientemente suportada por Deus.

Depois aprendemos com o Senhor Jesus, que este não foi o propósito de Deus, e que o mesmo projetou o casamento monogâmico heterosexual (um homem e uma mulher).

"E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, se serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem." Mateus 19.5-6

Se pegarmos um texto isolado, teremos uma verdadeira aberração teológica, e se hoje o elemento abre a escritura e faz esta hipotética oração "Senhor, dá-me mais esposas..." certamente não será ouvido e se frustrará.

Da mesma forma muitos outros assuntos na escritura só se interpretam a partir da harmonização com outros textos, do contrário verdadeiras contradições surgirão.

Assim se dá para com o texto que diz que a porta da salvação é estreita... vejamos:

"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem." Mateus 7.13-14.

Este texto precisa ser harmonizado com outros que dizem que o número de salvos será de milhões e milhões, na realidade de incontáveis pessoas de tantas que serão.

"Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência." Gênesis 13.16

Deus está falando aqui da descendência pela fé, como Paulo ensina em Romanos, não está falando da descendência de sangue.

"Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência." Romanos 9.8

Como harmonizar INCONTÁVEIS com a questão da PORTA ESTREITA da salvação?

Com harmonizar INCONTÁVEIS com o outro texto que fala que serão POUCOS os que acham o caminho?

Afinal serão INCONTÁVEIS ou POUCOS os que herdarão o Reino?

Você sabe responder a esta questão, se lhe perguntarem?

Pois bem, saiba que assim como de Davi até os nossos dias, o contexto de casamento é totalmente diferente... da mesma forma um "caminhão de distância" e significado separa o entendimento do texto que fala da porta estreita em relação aos dias de hoje.

É preciso ter-se em mente que quando o Reino estava ainda no seu início, e quando Jesus esteve aqui encarnado, o Reino havia chegado para poucas pessoas (eram poucos os nascidos de novo), o mundo literalmente jazia no maligno (como o escritor bíblico afirma), as nações ainda estavam debaixo do poder sedutor de Satanás em enganá-las e neste contexto e cenário histórico, é correto o que disse o Senhor quando fala "... apertado é o caminho...".

Mas sabemos por outros textos, que à medida que o Reino cresce e que à medida que a "conspiração do grão de mostarda" vai crescendo e se manifestando entre os homens, a influência direta e indireta do Evangelho vai se fazendo sentir e mais e mais pessoas vão sendo alcançadas pelo reino.

"E dizia: A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos? É como um grão de mostarda, que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na terra; Mas, tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra." Marcos 4.30-32

A semente do Evangelho quando foi plantada era pequenina, e neste tempo portanto, apertado era o caminho para a vida... mas a semente cresce...

Se na época de Jesus foi dito que estreita era a porta da salvação, hoje, para que as profecias possam se cumprir na totalidade quando falam do crescimento gradual do Reino, estas portas estão menos estreitas.

Povos, línguas e nações diferentes, já em número de milhões estão ouvindo, sendo vivificadas sobrenaturalmente pelo Espírito Santo, e sendo impactadas pela mensagem do Evangelho.

Parece ser ainda um pouco estreito, mas inegavelmente muito mais amplo que apenas os primeiros 12 apóstolos.

Hoje temos milhões de discípulos do Senhor Jesus, e não dá para dizer que milhões são poucos, hoje já vivemos uma realidade onde não são poucos os que encontram o caminho da porta da salvação.

E o futuro promete.

À medida que a igreja for entendendo a mensagem da "conspiração da semente de mostarda" e entender que o futuro da igreja será grandioso a tal ponto de se alastrar por todo o mundo, de tal forma que todas as famílias das nações se converterão ao Senhor...

"Olhai para mim, se sereis salvos, vós, TODOS OS TERMOS DA TERRA; porque eu sou Deus, e não há outro." Isaías 45.22

... chegará um dia no futuro, que diferente de quando o Senhor disse que era estreito e que poucos encontravam o caminho, chegará o dia em que será correto dizer, que espaçoso é o caminho que conduz ao Senhor e muitos (bilhões e bilhões) são os que trilharão por ele e o encontrarão.

"Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão." Salmos 67.7

No tempo de Davi, até seria correto orar "Senhor, dá-me mais esposas..." hoje não mais.

No tempo do Senhor Jesus, quando do início do Reino, era correto dizer que estreito era o caminho que conduzia ao céu... hoje não mais.

Chegará o dia em que o caminho da salvação será tão conhecido e tão abundantemente trilhado pelos homens, que um tentará evangelizar o outro, e o outro responderá "Não precisa me falar do Senhor, pois eu também já o conheço".

"E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados." Jeremias 31.34

"Pai nosso que está nos céus... venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu..."

Sempre que oramos "... venha o teu Reino..." de certa forma estamos dizendo... Senhor torna mais amplo e menos estreito o caminho que leva a Ti, traga salvação a mais e mais pessoas e não somente a poucos como quando do início do reino, para que a tua vontade seja cada vez mais realizada na terra (como também no céu).

Muitos serão chamados PARA SALVAÇÃO, e poucos escolhidos para PERDIÇÃO.

Hoje a oração correta é:

"Senhor ensina-me a amar a minha (única) esposa".

e ainda...

"Senhor faça crescer o teu Reino (venha o teu Reino) em todos os povos, tribos, línguas e nações."

Fonte: Oliveira - Reflexões Reformadas