terça-feira, 11 de outubro de 2011

Arthur W. Pink - Justificação em Cristo


...a regeneração é o ato do Pai (Tiago 1:18), a justificação é a sentença do Juiz. Uma me dá um lugar na família de Deus, a outra me assegura uma posição diante de Seu trono. Uma é interior, sendo a concessão da vida divina à minha alma: a outra é exterior, sendo a imputação da obediência de Cristo à minha conta. Por uma eu sou levado de regresso arrependido à casa do Pai, por outra se me dá uma “melhor vestidura” que me prepara para Sua presença. Segundo, ela difere da santificação. A santificação é moral ou experimental, a justificação é legal ou judicial. A santificação resulta da operação do Espírito em mim, a justificação é baseada no que Cristo fez por mim. Uma é gradual e progressiva nesta vida; a outra é completa e não admite adição. Uma tem que ver com meu estado, a outra tem que ver com minha posição diante de Deus. A santificação produz uma transformação de caráter; a justificação é uma mudança de status legal: é uma mudança desde a culpa e condenação ao perdão e aceitação, e isto somente por um ato de graça por parte de Deus, fundamentado sobre a imputação da justiça de Cristo, por meio do instrumento da fé somente. Ainda que a justificação está totalmente diferenciada da santificação contudo, a santificação sempre a acompanha.
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...de Deus se diz ser “justificado” (Romanos 3:4), porém seria blasfêmia falar dEle como sendo “perdoado” - isto mostra imediatamente que as duas coisas são diferentes. Um criminoso poderia ser perdoado, porém somente uma pessoa justa pode ser realmente justificada. O perdão trata somente com os atos de um homem, a justificação com o homem em si. O perdão considera aos pedidos de clemência, a justificação aos de justiça. O perdão somente livra da maldição causada pelo pecado; a justificação além disso, outorga um direito ao céu. A justificação se aplica ao crente com respeito às demandas da lei, o perdão com respeito ao Autor da lei. A lei não perdoa, já que ela não admite afrouxamento; porém que Deus perdoa as transgressões da lei em Seu povo provendo uma satisfação à lei, adequada a suas transgressões. O sangue de Cristo foi suficiente para proporcionar o perdão (Efésios 1:7), porém Sua justiça é necessária para a justificação (Romanos 5:19). O perdão liberta da morte (2 Samuel 12:13), porém a justiça imputada é chamada “justificação de vida” (Romanos 5:18). Uma vê ao crente como completamente pecador, a outra como completamente justo.
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...o Senhor Jesus sofreu as penalidades da lei no lugar deles, e através de Sua morte expiatória eles foram limpos de toda culpa. Como criaturas, eles estavam debaixo de obrigações para obedecer a Lei de Deus; como criminosos (transgressores) eles estavam sob a sentença da morte da lei. Portanto, para cumprir nossas obrigações e pagar nossas dívidas foi necessário que nosso Substituto tanto obedecesse como morresse. O derramamento do sangue de Cristo apagou nossos pecados, porém isto, por si só, não nos provê o “melhor vestido”. Silenciar as acusações da lei contra nós de modo que agora “nenhuma condenação há para quem está em Cristo Jesus” é simplesmente uma benção negativa: algo mais é requerido, ou seja, uma justiça positiva, o cumprimento da lei, para que possamos ter o direito à sua benção e recompensa.
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...como Cristo “não conheceu pecado” pela impureza interior ou comissão pessoal, assim nós “conhecemos” ou não tivemos justiça de nossa própria conformidade interior à lei, nem pela obediência pessoal à ela. Como Cristo se “fez pecado” por haver sido nossos pecados postos a Sua conta ou carregados sobre Ele em um modo judicial, e como não foi por uma conduta criminal de Si mesmo que Ele se “fez pecado”, assim não é por alguma atividade piedosa de nós mesmos que chegamos a ser “justos”: Cristo não se “fez pecado” pela infusão de depravação, nem nós somos “feito justiça” pela infusão de santidade. Ainda que pessoalmente santo, nosso Responsável, entrando em nosso lugar legal, se entregou a Si mesmo oficialmente devedor à ira de Deus; e assim apesar de pessoalmente malvados, temos, em virtude de nossa identificação legal com Cristo, direito ao favor de Deus.
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...Cristo não poderia haver sofrido em lugar do culpado a menos que sua culpa houvesse sido primeiramente transferida a Ele. Os sofrimentos de Cristo foram penais. Deus por um ato de graça transcendente (para conosco) pôs as iniqüidades de todos os que são salvos sobre Cristo, e em conseqüência, a justiça Divina encontrando pecado sobre Ele, O castigou. Aquele que de nenhum modo tem por inocente ao culpado deve atacar o pecado e ferir seu portador, não importa se este é o próprio pecador ou Um que vicariamente toma seu lugar. Mas como G.S. Bishop bem disse: “Quando a justiça golpeia uma vez ao Filho de Deus, a justiça se esgota. O pecado é castigado em um Objeto Infinito”. A expiação de Cristo foi contrária a nossos processos legais porque esta se eleva por cima de suas limitações finitas!

Textos extraídos do livro "A doutrina da justificação", traduzido pelo Monergismo