terça-feira, 4 de outubro de 2011

Arthur W. Pink - Qual é o propósito da oração



 ...dizer que “Deus ordenou que os destinos dos homens podem ser mudados e moldados pela vontade do homem” é algo completamente falso. O destino humano é decidido, não pela “vontade do homem”, e, sim, pela vontade de Deus. O que determina o destino do homem é se o homem nasceu de novo ou não, porquanto está escrito: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). E qualquer dúvida, se é a vontade de Deus ou a vontade do homem a responsável pelo novo nascimento, é esclarecida, de forma inequívoca, em João 1.13: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Dizer que o destino humano pode ser mudado pela vontade do homem é tornar suprema a vontade da criatura, o que virtualmente significa destronar a Deus. Mas, que dizem as Escrituras? Que elas respondam: “O SENHOR o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir. O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó e desde o monturo exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória” (1 Sm 2.6-8).
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...a oração foi instituída para que o próprio Senhor Deus seja honrado. Deus requer que reconheçamos que Ele é, de fato, “o Alto, o Sublime, que habita a eternidade” (Is 57.15). Deus requer que reconheçamos o seu domínio universal. Quando Elias orou para que chovesse, reconheceu que Deus exerce controle sobre os elementos da natureza; ao orarmos que Deus liberte um miserável pecador da ira vindoura, reconhecemos que “ao SENHOR pertence a salvação!” (Jn 2.9); ao suplicarmos que Ele abençoe a pregação do evangelho até aos confins da terra, declaramos que Ele é quem rege o mundo inteiro.
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...a oração não tem a finalidade de alterar os desígnios de Deus, nem de movê-lo a formular novos propósitos. Deus já decretou que certas coisas hão de suceder, mas também decretou que sucederão através dos meios que Ele mesmo determinou para levá-las a efeito. Deus escolheu certas pessoas para a salvação, mas também decretou que sejam salvas através da pregação do evangelho. O evangelho, pois, é um dos meios determinados para a concretização do conselho eterno do Senhor. A oração é outro desses meios. Deus decretou os fins, mas igualmente os meios, e entre esses está a oração. Até as orações do seu povo fazem parte dos seus decretos eternos. Portanto, longe de serem vãs, as orações são instrumentos, entre outros, por meio dos quais Deus cumpre os seus decretos. “Se, na verdade, tudo sucede pelo cego acaso ou por necessidade fatal, não haveria qualquer eficácia moral nas orações, e nenhuma utilidade; mas, sendo reguladas pela orientação da sabedoria divina, as orações têm um lugar na ordem dos acontecimentos” (Haldane).
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...nossos pontos de vista sobre a oração carecem de revisão para se harmonizarem com os ensinos das Escrituras, quanto a esse aspecto. Parece que a idéia que atualmente prevalece é esta: apresento-me a Deus para pedir algo que quero e passo a ter a certeza de que Ele me dará aquilo que Lhe pedi.
Porém, essa é uma idéia que avilta e degrada a Deus. As crenças populares reduzem Deus à função de servo, nosso servo — cumprindo nossas ordens, executando nossa vontade, atendendo nossos desejos. Não! Orar é vir a Deus, contando-Lhe a minha necessidade, entregando-Lhe os meus caminhos, deixando-O agir conforme melhor Lhe aprouver. Isto torna minha vontade sujeita à dEle, ao invés de, como no caso anterior, procurar que a vontade dEle se sujeite à minha. Nenhuma oração agradará a Deus se não for movida pelo espírito que diz: “Não se faça a minha vontade, e, sim, a tua” (Lc 22.42).

Textos extraídos de "A soberania de Deus e a oração". Leia todo o texto em Monergismo