sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Os três propósitos da lei (Dt 13.10)


As Escrituras mostram que Deus pretende que sua lei funcione de três modos, que Calvino cristalizou, numa forma clássica para benefício da Igreja, como o tríplice uso da lei.

Sua primeira função é a de ser espelho que reflete para nós a perfeita justiça de Deus e a nossa própria pecaminosidade e deficiência. Como escreveu Agostinho, "a lei nos obriga a saber como pedir auxílio da graça, quando tentamos cumprir suas exigências e nos cansamos na nossa fraqueza sob ela". A lei foi dada para nos transmitir conhecimento do pecado (Rm 3.20; 4.15; 5.13; 7.7-11) e, mostrando-nos a nossa necessidade de perdão e o perigo da condenação, levar-nos a Cristo em arrependimento e fé (Gl 3.19-24).

Uma segunda função da lei - o uso civil - é a de refrear o mal. Ainda que a lei não possa mudar o coração, ela pode, até certo ponto, inibir as desordens com ameaça de julgamento, especialmente quando apoiada num código civil, que aplica punição a ofensas comprovadas (Dt 13.6-11; 19.16-21; Rm 13.3-4). Desse modo, ela assegura a ordem civil e serve para proteger os justos da ação dos injustos.

Sua terceira função é a de guiar o regenerado às boas obras que Deus planejou para ele (Ef 2.10). A lei diz aos filhos de Deus o que agrada ao seu Pai Celestial. Ela pode ser chamada de código da família. Cristo estava falando deste terceiro uso da lei, quando disse que os que se tornam seus discípulos devem ser ensinados a fazer tudo o que ele mandou (Mt 28.20) e que a obediência aos seus mandamentos provará a realidade do amor que seus discípulos têm por ele (Jo 14.15). O cristão está livre da lei como sistema de salvação (Rm 6.14; 7.4,6; 1Co 9.20; Gl 2.15-19; 3.25), mas está "debaixo da lei de Cristo", como uma regra de vida (1Co 9.21; Gl 6.2).

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra