quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

R.C. Sproul - Depravação total



...Há muito mal-entendido a respeito do que os reformadores queriam dizer com essa afirmação. A expressão usada frequentemente na teologia clássica reformada para referir-se à situação do homem é depravação total. As pessoas tendem a estremecer sempre que usamos essa expressão porque há uma confusão bastante difundida acerca dos conceitos de depravação total e depravação absoluta. A depravação absoluta significaria que o homem é tão mal e corrupto quanto poderia ser. Não creio que existe neste mundo um ser humano que seja absolutamente corrupto, e isso acontece tão-somente por causa da graça de Deus e do poder restringente da sua graça comum. Os muitos pecados que cometemos individualmente, poderíamos cometê-los com maior perversidade. Poderíamos cometer pecados mais horríveis. Ou poderíamos cometer um maior número de pecados. Logo, a depravação total não significa que os homens são tão maus quanto poderiam ser.

Quando os reformadores protestantes falavam sobre a depravação total, eles queriam dizer que o pecado – seu poder, sua influência, sua inclinação – afeta toda a pessoa. Nosso corpo, nosso coração e nossa mente são caídos – em nós não há nenhuma parte que escape da ruína de nossa natureza humana pecaminosa. O pecado afeta nosso comportamento, nossa vida, nossa conversa. Toda pessoa é caída. Essa é a verdadeira extensão de nossa pecaminosidade, quando julgada pelo padrão e norma da perfeição e santidade de Deus.

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...A razão para esse problema é o fato de que, ao descrever bondade e maldade, a Bíblia focaliza-as com base em duas perspectivas distintas. Primeira, há a norma de medida da Lei, que avalia a conduta externa dos seres humanos. Por exemplo, se Deus afirma que você não deve roubar, e você passa a vida toda sem roubar, com base numa avaliação externa, podemos dizer que você tem um bom registro. Você guardou a Lei externamente.

Mas, além da norma de medida externa, há também a consideração do coração, a motivação interna do nosso comportamento. Somos informados de que o homem julga pela aparência exterior, mas Deus examina o coração. Com base na perspectiva bíblica, fazer uma boa obra no sentido pleno exige não somente que a obra se conforme externamente com os padrões da Lei de Deus, mas também que proceda de um coração que ama a Deus e quer honrá-lo. Você recorda o grande mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mt 22.37)

Extraído de “A verdade da cruz” da Editora Fiel