segunda-feira, 16 de abril de 2012

John Landers - Graça Imediata


Lutero reformulou a doutrina católica dos sacramentos, à luz da justificação pela fé. Conforme sua compreensão, a salvação vem, não pelas obras, mas pela graça. Os Sacramentos, contudo, são os meios da graça; através dos sacramentos, a graça alcança o indivíduo. Mas será que os sete sacramentos da Igreja Católica Romana satisfazem este critério? Claramente a penitência não encontraria lugar no sistema luterano O reformador eliminou, um após outro, os sacramentos, ficando apenas dois: O Batismo e a Ceia do Senhor. O Batismo ele entendeu como o início da vida crista; a água batismal, por causa de sua associação com a Palavra de Deus, cancela o pecado original e concede a graça do Espírito Santo¹. A criança se torna cristã pelo batismo, mas sua alma será fortalecida durante toda a vida pela graça recebida nos elementos da Eucaristia.

Apesar das mudanças, a religião de Lutero continuava altamente sacramental. O luterano temia o inferno menos que o católico. Cria receber a salvação de graça em seu batismo. Quando sentia a necessidade de confessar seus pecados, orava diretamente a Deus, por intermédio de Jesus Cristo; ele não tinha seu pastor como sacerdote. Os dois sacramentos - Batismo e Ceia - garantiam-lhe a graça de Deus, mediante a obra de Cristo.

O batista acha estranha a interpretação luterana da justificação pela graça. Para os batistas, cada crente encontra a graça de Deus em sua própria experiência. A graça não vem canalizada em determinados sacramentos. Paulo não encontrou Jesus em água, nem em pão, mas na experiência imediata da presença de Deus. Assim, hoje cada crente recebe a graça salvadora em sua experiência pessoal.

Os batistas pregam a justificação pela graça mediante a fé (Ef 2: 8,9). O meio da graça é a fé. Lutero ensinou corretamente que a salvação é pela graça, mas ele ainda guardou os dois baluartes de toda igreja estatal - o batismo infantil e a graça sacramental. Os anabatistas e seus sucessores sempre rejeitaram a igreja estatal, e acabaram se organizando em igrejas de crentes, batizados sob profissão de fé. Para eles, a salvação não depende das obras. Em última análise, o Batismo e a Ceia do Senhor são, também, boas obras. A salvação é pela graça de Deus, operando soberana e misteriosamente na vida de cada indivíduo, pela ação do Espírito Santo. O batista entende a graça divina como graça imediata - graça recebida na experiência direta com Deus.

Notas
1 LUTERO, Martinho. Catecismo Maior, Quarta Parte.

Versículo do texto (como auxílio para leitura):
(Efésios 2:8)  Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;

(Efésios 2:9)  não vem das obras, para que ninguém se glorie.

Fonte: "Teologia dos Princípios Batistas" da Editora JUERP