segunda-feira, 7 de maio de 2012

A. A. Hodge - Princípio geral da alma humana



A alma do homem é um só agente indivisível, e não um conjunto organizado constando de diversas partes; em conseqüência, aquilo que descrevemos como suas diversas faculdades é, antes, a capacidade desse agente único para desempenhar, simultânea ou sucessivamente, as diversas funções envolvidas, e nunca devemos concebê-las como se fossem partes ou órgãos que existem separadamente. Essas diversas funções exercidas pela alma são tão variadas e complexas que é necessário que se faça uma análise minuciosa delas, para que tenhamos uma idéia definida da sua natureza. Ao mesmo tempo, convém que estejamos lembrados de que grande parte dos erros em que caíram os filósofos em suas interpretações da constituição moral do homem, foram o resultado do abuso desse mesmo processo de análise. Isso é verdade especialmente com respeito à interpretação dos atos voluntários da alma humana. Na prossecução da sua análise, o filósofo chega a reconhecer separadamente as diferenças e as semelhanças dessas várias funções da alma, e muitas vezes não se lembra de que essas mesmas funções nunca estão assim em operação isoladamente, e sim concorrentemente, por ser a alma um só agente indivisível, e que, por isso, as suas funções diversas sempre se restringem mutuamente. Assim também não é, de fato, verdade que a inteligência raciocina, que o coração sente, a consciência aprova ou condena e a vontade decide do mesmo modo como os diversos membros do corpo operam juntos, e os diversos membros de um conselho deliberam e decidem mediante ação conjunta de suas partes; porém a verdade é que a alma, que é uma só e indivisível, racional, sensível, moral e autodeterminante, raciocina, sente, aprova ou condena e decide.

O poder autodeterminante da vontade, como faculdade abstrata, é um absurdo como doutrina, e seria funesto como experiência; mas o poder autodeterminante da alma humana como um agente fatual, racional e sensível, é um fato de consciência universal e uma doutrina fundamental da filosofia moral e da teologia cristã. A questão real não versa sobre a liberdade da vontade, e sim sobre a liberdade do homem em determinar-se ou em escolher. É óbvio que somos livres se temos a liberdade de nos determinarmos como nos convém, isto é, segundo nos parece bem, tomando tudo em consideração.

Fonte: “Esboços de Teologia” da PES