segunda-feira, 21 de maio de 2012

Jonathan Edwards - Inferno?! Pregue acreditando!



Quando os ministros pregam friamente sobre o inferno, advertindo os pecadores de que o devem evitar, por mais que suas palavras digam que ele é infinitamente terrível, eles acabam se contradizendo; pois à semelhança das palavras, como observei anteriormente, as ações também têm sua própria linguagem. Se o sermão de um pregador ilustra a situação do pecador como imensamente pavorosa, ao mesmo tempo que seu comportamento e sua maneira de falar contradizem isso – mostrando que ele não pensa assim - , tal ministro vai contra seu próprio objetivo, porque nesse caso a linguagem das ações é muito mais eficaz do que o significado puro e simples de suas palavras.

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Pergunto a qualquer um: não é este mesmo o caminho que os homens tomariam se corressem perigo de uma grande calamidade natural? Suponhamos que algum de vocês que são chefes de família visse um de seus filhos dentro de uma casa totalmente em chamas; se, na iminência de ser consumida pelo fogo, a criança estivesse completamente inconsciente do perigo e não fizesse nenhuma tentativa para fugir depois de você lhe ter gritado, você passaria a falar com ela de maneira apenas fria e indiferente? Você não gritaria bem alto, chamando-a com seriedade do modo mais vigoroso possível, mostrando-lhe o perigo em que se encontra e sua insensatez em se demorar? Será que sua própria natureza não lhe ensinaria isso, obrigando-o a tomar tal atitude?

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Alguns dizem que é ilógico usar o medo a fim de afugentar as pessoas para o céu. Contudo, acho que faz parte da lógica o esforço para afugentar as pessoas do inferno, em cuja margem elas se encontram, prontas para cair dentro dele a qualquer momento, mas sem dar conta do perigo. Não seria justo afugentar alguém para fora de uma casa em chamas? O medo justificável, para o qual há uma boa razão, certamente não deve ser criticado como se fosse algo ilógico.

Fonte: Trechos extraídos de “A verdadeira obra do Espírito” da Editora Vida Nova