sexta-feira, 8 de junho de 2012

Greg Koukl - Sete falhas fatais do relativismo



O relativismo moral é um tipo de subjetivismo que sustenta que as verdades morais são muito preferênciais, assim como os nossos gostos por sorvete. O relativismo moral ensina que quando se trata de moral, o que é eticamente certo ou errado, as pessoas podem e devem fazer aquilo que se sentem bem. As verdades éticas dependem dos indivíduos, grupos e culturas que sustenta-os. Porque eles acreditam que a verdade ética é subjetiva, as palavras deveriam e devem ser menos compreensíveis porque a moralidade de todos é a mesma; ninguém tem direito a uma moralidade objetiva que cabe aos outros. O relativismo não exige um determinado padrão de comportamento para as pessoas em situações semelhantes quanto à moralidade. Quando confrontados com exatamente a mesma situação ética, uma pessoa pode escolher uma resposta, enquanto outra pode escolher o oposto. Não há regras universais de conduta aplicáveis a ninguém.

Falha 1

A moral relativista não pode acusar os outros de má conduta. O relativismo torna impossível de criticar o comportamento dos outros, porque o relativismo, em última análise, nega a “má conduta”. Se alguém acredita que a moralidade é uma questão de definição pessoal, então você se rende à possibilidade de fazer julgamentos morais objetivos sobre as ações de outros, não importa quão ofensivas são para a sua noção de certo ou errado. Isto significa que um relativista não pode racionalmente opinar sobre assassinato, estupro, abuso infantil, racismo, atitudes sexuais ou destruição do meio ambiente se essas ações são consistentes com o entendimento moral da pessoa que pratica sobre o que é certo e bom. Quando o certo e o errado são questões de escolha pessoal, nós nos rendemos ao privilégio de fazer julgamentos morais sobre as ações dos outros. No entanto, se estamos certos de que algumas coisas devem ser erradas e que alguns julgamentos contra a conduta de outros são justificáveis - então, o relativismo é falso.

Falha 2

Os relativistas não podem reclamar sobre o problema do mal. A realidade do mal no mundo é uma das primeiras objeções levantadas contra a existência de Deus. Toda objeção depende da observação de que o mal existe. O mal objetivo não pode existir se os valores morais são relativos ao observador. O relativismo é inconsistente com o conceito da existência do mal moral porque nega que alguma coisa pode ser objetivamente errada. Se não existe um padrão moral, então não pode haver desvio de padrão. Assim, os relativistas devem se render ao conceito do mal e, ironicamente, também devem se entregar ao problema do mal como um argumento contra a existência de Deus.

Falha 3

Os relativistas não podem culpar nem aceitar elogios. O relativismo torna os conceitos de elogio e culpa sem sentido, porque nenhum padrão externo de medição define o que deveria ser aplaudido ou condenado. Sem absolutos, nada é, em última análise, ruim, deplorável, trágico ou digno de culpa. Nem bom, honroso, nobre ou digno de louvor. Os relativistas são, quase sempre, inconsistentes aqui, porque eles procuram evitar a culpa, mas prontamente aceitam elogios. Uma vez que a moralidade é uma ficção, assim também os relativistas devem suprimir as palavras de elogio e culpa de seus vocabulários. Se a idéia de elogio e crítica é válida, então o relativismo é falso.

Falha 4

Os relativistas não podem fazer acusações de imparcialidade ou injustiça. De acordo com o relativismo, as noções de equidade e justiça são incoerentes com os conceitos de que as pessoas devem receber igualdade de tratamento com base em algum padrão externo. Contudo, o relativismo acaba com qualquer noção de padrões externos vinculados. Justiça implica punir aqueles que são culpados de um delito. Mas, pelo relativismo, culpa e culpados não existem - se nada é, em última análise, imoral, não há culpa e, portanto, nenhuma culpa é digna de punição. Se o relativismo é verdadeiro, então não há tal coisa como a justiça ou a equidade, porque ambos os conceitos dependem de um padrão objetivo do que é certo. Se as noções de justiça e equidade fazem sentido, então o relativismo é derrotado.

Falha 5

Os relativistas não podem melhorar a sua moralidade. Os relativistas podem mudar a sua ética pessoal, mas eles nunca podem se tornar pessoas melhores. De acordo com o relativismo, a ética nunca pode se tornar "moral". Ética e moral podem mudar, mas nunca podem melhorar, pois não há um padrão objetivo para melhorá-los. Se, contudo, a melhoria dos padrões morais parecem ser um conceito que faz sentido, então o relativismo é falso.

Falha 6

Os relativistas não podem sustentar discussões morais significativas. O que há para falar? Se a moral é totalmente relativa e todas as opiniões são iguais, então não existem pensamentos melhores que outros. Não há uma posição moral que pode ser julgada como adequada ou deficiente, insensata, aceitável, ou até mesmo bárbara. Se as disputas éticas só fazem sentido quando as questões morais são objetivas, então o relativismo só pode ser vivido, de forma consistente, em silêncio. Por este motivo, é raro encontrar um relativista racional e consistente, assim a maioria deles são rápidos para impor suas próprias regras morais como "É errado impor sua própria moralidade nos outros". Isso coloca os relativistas em uma posição insustentável - se eles falam de questões morais, eles ficam a mercê de seu próprio relativismo, se eles não falam, eles se entregam a sua própria humanidade. Se a noção de discurso moral faz sentido, então, o relativismo moral é falso.

Falha 7

Os relativistas não podem promover a compromisso de tolerância. A obrigação moral relativista de ser tolerante é auto-refutável. Ironicamente, o princípio de tolerância é considerado uma das principais virtudes do relativismo. A moral é individual, eles dizem, e, portanto, devemos tolerar os diversos pontos de vista e não julgar suas atitudes e comportamentos. Contudo, se não há regras morais objetivas, não pode haver nenhuma regra que exige a tolerância como um princípio moral que se aplique igualmente a todos. Na verdade, se não há absolutos morais, porquê ser tolerante em tudo? Os relativistas violam seus próprios princípios de tolerância quando não conseguem tolerar as opiniões daqueles que acreditam em padrões morais objetivos. Eles são, portanto, tão intolerantes quanto, freqüentemente, acusam o objetivista moral de ser. O princípio da tolerância é estranho ao relativismo. Se, no entanto, a tolerância parece ser uma virtude, então, relativismo é falso.

A Falência do relativismo

O relativismo moral está falido. Não é um verdadeiro sistema moral. É auto-refutável. É uma hipocrisia. É logicamente inconsistente e irracional. Ele está seriamente prejudicado pelos simples exemplos práticos. Torna a moralidade ininteligível. Nem sequer é tolerante! O princípio da tolerância só faz sentido num mundo no qual existem absolutos morais, e somente se um desses padrões absolutos de conduta é "Todas as pessoas devem respeitar os direitos dos outros que divergem na conduta ou opinião". A ética da tolerância pode ser racional somente se a verdade moral é objetiva e absoluta, não subjetiva e relativa. A tolerância é um princípio básico no absolutismo moral e é irracional a partir de qualquer perspectiva de relativismo ético.


As pessoas estão se afogando em um mar de relativismo moral. Relativismo destrói a consciência. Ela produz pessoas sem escrúpulos, porque não fornece condições morais de melhora. É por isso que nós não ensinamos o relativismo para nossos filhos - na verdade, trabalhamos para ensinar-lhes exatamente o oposto. Em última análise, o relativismo é egocêntrico, egoísta e hipócrita. "Fazer por conta própria" é bom para nós, mas nós não queremos que os outros sejam relativistas. Esperamos que eles nos tratem de acordo com um padrão moral aceito.

"Eu já libertei a Alemanha dos estúpidos e degradantes enganos da consciência e moralidade ... Vamos treinar os jovens antes pois através deles o mundo tremerá." Adolf Hitler
Relativismo moral, em um sentido prático, é completamente insuportável. Que tipo de mundo teríamos se o relativismo fosse verdade? Seria um mundo em que nada seria considerado errado - nada seria considerado mau ou bom, nada digno de louvor ou culpa. Seria um mundo em que a justiça e a equidade teriam conceitos sem sentido, em que não haveria prestação de contas, nenhuma possibilidade de aperfeiçoamento moral, sem discurso moral. E seria um mundo em que não haveria tolerância. O relativismo moral produz esse tipo de mundo.

O último comentário do Dr. Francis Schaeffer poderia muito bem ser aplicado aos relativistas morais, que "...têm os dois pés firmemente plantados no ar."

[Adapted from Beckwith, F. & Koukl G (2002), Relativism - Feet Firmly Planted in Mid-Air, Baker Books.]


Traduzido por Eric N. de Souza