quinta-feira, 7 de junho de 2012

Santo Agostinho - Milagres e magia



Percebo aqui a pergunta que poderia ocorrer às inteligências débeis: por que podem esses milagres também ser feitos através de artes mágicas? Pois os magos do faraó produziram também serpentes e coisas semelhantes (Ex 7.12). Mas é ainda mais digno de admiração como pode falhar o poder dos magos, que foi capaz de fazer aparecer as serpentes, mas não se manifestou, por exemplo, no aparecimento das pequeninas moscas. Tratava-se de minúsculos mosquitos que afligiram o soberbo povo egípcio na terceira praga (Ex 8.13).

Quando o magos falharam, disseram: O dedo de Deus está aqui (Ex 8.15). O que dá a entender que nem mesmo os anjos rebeldes e as potestades aéreas, lançadas fora das moradas da pureza eterna e sublime às profundezas tenebrosas, como para um cárcere “sui generis”, por cujo poder as artes mágicas fazem alguma coisa, nada podem realizar se não lhes for dado do alto o poder necessário.

Esse poder é outorgado às vezes para enganar os que querem enganar, como foi dado contra os egípcios e mesmo contra os próprios magos, para que, iludidos em seu espírito, parecessem ser objeto de admiração, quando na realidade foram vencidos pela verdade de Deus. Outras vezes, esse poder é concedido como admoestação aos fiéis, para, que não desejem fazer tais coisas como os exemplos a nós referidos pela autoridade das Escrituras; ou ainda, para que os justos tenham oportunidade de provar e manifestar sua paciência. Com efeito, foi pela enorme força de milagres visíveis que Jó perdeu tudo o que tinha, seus filhos e a própria saúde (Jó 1 e 2).

Fonte: “A Trindade” da Paulus Editora