domingo, 1 de julho de 2012

Augustus Nicodemus - Equilíbrio entre "orare et labutare"



O método gramático histórico mantém em equilíbrio a tensão entre oração e labuta no estudo da Bíblia, adotando o binômio orare et labutare, lema hermenêutico de Calvino. Orare, porque a Bíblia é divina, porque somos pecadores, porque Deus é muito diferente de nós. Pela oração buscamos a iluminação do Espírito. Labutare, porque a Bíblia, como literatura produzida por seres humanos num determinado contexto, numa outra cultura e numa outra época, é humana, e está distante de nós, o que gera a necessidade de estudo. Quando adotada pelo neopentecostalismo, a interpretação alegórica faz descuidar do labutare – tudo do que o intérprete precisa é ser homem de oração, jejuar e aguardar iluminação do Espírito –, tendendo a conclusões absurdas, cabalísticas e místicas. Já o método histórico-crítico tende a esquecer o orare – tudo do que o intérprete precisa é ser um especialista nas diversas críticas literárias –, culminando em um intelectualismo árido e seco.

Fonte: “O que estão fazendo com a igreja” da editora Mundo Cristão