sábado, 25 de agosto de 2012

Abraham Kuyper - Religião e intelecto



Os homens sábios de nossa geração sustentam que a religião deve retirar-se do recinto do intelecto humano. Deve procurar expressar-se por meio de sensações místicas, ou então, por meio de vontade prática. No campo da religião as inclinações místicas e éticas são saudadas com entusiasmo, mas neste mesmo campo o intelecto, como conduzindo a alucinações metafísicas, deve ser amordaçado. A Metafísica e a Dogmática são cada vez mais declaradas tabus, e o Agostinianismo é aclamado sempre mais espalhafatosamente como a solução do grande enigma. Sobre os rios do sentimento e da emoção, a navegação é feita livremente, e a atividade ética está se tornando a única pedra de toque para testar o ouro religioso; mas a metafísica é evitada como afogando-nos em um pântano. Tudo quanto se anuncia com a pretensão de um dogma axiomático é rejeitado como contrabando irreligioso. E embora este mesmo Cristo, que muitos eruditos honram como um gênio religioso, tenha nos ensinado enfaticamente: “Tu amarás a Deus, não apenas com todo teu coração e com toda tua força, mas também com toda tua mente”, todavia eles, pelo contrário, aventuram-se a dispensar nossa mente, ou intelecto, como inapta para uso neste campo santo, e como não preenchendo os requerimentos de um órgão religioso.

Fonte: “Calvinismo” da Editora Cultura Cristã