sábado, 17 de novembro de 2012

Bob Deffinbaugh - O Pacto Noético: Um novo começo - Parte 2

A Aliança de Noé
(9:8-17)

A aliança de Deus com Noé e seus descendentes apresenta muitas das características das alianças posteriores que Deus fez com o homem. Por esta razão, vamos destacar algumas das características mais evidentes do Pacto.

(1) A aliança de Noé foi iniciada e ditada por Deus. A soberania de Deus é claramente vista neste pacto. Enquanto alguns pactos antigos eram o resultado de negociação, este não era. Deus iniciou a aliança como uma expressão externa de Seu propósito revelado em Gênesis 3:20-22. Deus ditou os termos do pacto a Noé, e não houve discussão.

Um amigo meu possuía um carro que estava "à beira da ruína." Com meu incentivo, ele foi a uma loja de carros para encontrar algo mais confiável. Ele encontrou um carro que se mostrou promissor, mas decidiu dar ao assunto mais ponderação. Quando ele entrou em seu carro velho para sair, ele não iria funcionar. Como você pode imaginar, meu amigo não estava em posição de barganha. Ele pegou o outro carro sem qualquer negociação sobre o preço. Essa foi precisamente a situação de Noé. E devo acrescentar, deveríamos nos atrever a questionar os termos de Deus hoje? Acho que não!

(2) A aliança Noética foi feita com Noé e todas as gerações sucessivas: "Disse Deus: Este é o sinal da minha aliança que faço entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, para perpétuas gerações" (Gênesis 9:12).

Esta aliança permanecerá em vigor até o momento em que nosso Senhor retornar à terra para purificá-la pelo fogo (II Pedro 3:10).

(3) Esta é uma aliança universal. Enquanto alguns pactos envolvem um número pequeno, este pacto especial inclui "toda a carne." Isto é, todas as criaturas viventes, incluindo o homem e os animais:

"E eu, eis que estabeleço o meu concerto convosco, e com a vossa semente depois de vós, e com toda alma vivente, que convosco está, de aves, de reses, e de todo animal da terra convosco; desde todos que saíram da arca, até todo animal da terra." (Gênesis 9:9,10).

(4) A aliança Noética é um pacto incondicional. Alguns pactos eram dependentes para que ambas as partes cumprissem certas condições. Tal foi o caso da aliança mosaica. Se Israel mantivesse a lei de Deus, eles iriam experimentar as bênçãos e a prosperidade de Deus. Se não, eles seriam expulsos da terra (Deuteronômio 28). As bênçãos da aliança Noética não foram condicionais. Deus daria regularidade de estações e não destruiria a Terra por um dilúvio, simplesmente porque Ele disse. Enquanto certas ordens foram dadas à humanidade nos versículos 1-7, estas não são vistas como condições para a aliança. Elas não são tecnicamente incluídas como partes da aliança.

(5) Esta aliança foi a promessa de Deus de nunca mais destruir a terra por um dilúvio: "Então, me lembrarei do meu concerto, que está entre mim e vós e ainda toda alma vivente de toda carne; e as águas não se tornarão mais em dilúvio, para destruir toda carne." (Gênesis 9:15).

Deus vai destruir a terra pelo fogo (II Pedro 3:10), mas só depois de salvação ter sido adquirida pelo Messias e os eleitos removidos, assim como Noé foi protegido da ira de Deus.

(6) O sinal da aliança de Noé é o arco-íris:

"O meu arco tenho posto na nuvem; este será por sinal do concerto entre mim e a terra. E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, aparecerá o arco nas nuvens. Então, me lembrarei do meu concerto, que está entre mim e vós e ainda toda alma vivente de toda carne; e as águas não se tornarão mais em dilúvio, para destruir toda carne." (Gênesis 9:13-15).

Toda aliança tem o seu sinal que a acompanha. O sinal da aliança com Abraão é a circuncisão (Gênesis 17:15-27); o da Aliança Mosaica é a observância do sábado (Êxodo 20:8-11; 31:12-17).

O "sinal" do arco-íris é apropriado. Consiste na reflexão dos raios do sol nas partículas de água das nuvens. A água que destruiu a terra causa o arco-íris. Além disso, o arco-íris aparece no final de uma tempestade. Portanto, este sinal assegura ao homem que a tempestade da ira de Deus (em uma inundação) acabou.

Mais interessante é o fato de que o arco-íris não se destina tanto para benefício do homem (neste texto, pelo menos) mas, para Deus. Deus disse que o arco-íris O faria se lembrar da Sua aliança com o homem. Que conforto saber que a fidelidade de Deus é a nossa garantia.

Conclusões e Aplicações

Para os israelitas que primeiro receberam esta revelação de Deus, a Aliança de Noé deu razões para uma série de regras estabelecidas na Lei Mosaica. As leis referentes à pena capital, por exemplo, encontradas na sua origem e explicadas em Gênesis, capítulo 9. As matérias a respeito do sangue acrecentaram maior significado à luz deste capítulo.

Os profetas do Velho Testamento também se referiram a Aliança de Noé. Isaías lembrou à nação, Israel, da fidelidade de Deus em manter a aliança com Noé:

"Porque isso será para mim como as águas de Noé; pois jurei que as águas de Noé não inundariam mais a terra; assim jurei que não me irarei mais contra ti, nem te repreenderei. Porque as montanhas se desviarão e os outeiros tremerão; mas a minha benignidade não se desviará de ti, e o concerto da minha paz não mudará, diz o SENHOR, que se compadece de ti." (Isaías 54:9-10) .

Neste momento, no livro de Isaías parecia haver poucos motivos de esperança como uma nação. Isaías lembrou à nação que sua esperança era tão certa como a Palavra de Deus. A promessa de Deus de redenção deveria ser vista à luz da Sua fidelidade em manter Sua aliança com Noé e seus descendentes.

A linguagem de Gênesis capítulo nove foi utilizada por Oséias para assegurar ao povo de Deus a sua restauração:

"E, naquele dia, farei por eles aliança com as bestas-feras do campo, e com as aves do céu, e com os répteis da terra; e da terra tirarei o arco, e a espada, e a guerra e os farei deitar em segurança." (Oséias 2:18).

Jeremias também falou das futuras bênçãos de Deus, lembrando homens da fidelidade de Deus em manter a aliança com Noé:

"Assim diz o SENHOR, que dá o sol para luz do dia e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que fende o mar e faz bramir as suas ondas; SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se se desviarem estas ordenanças de diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a semente de Israel de ser uma nação diante de mim, para sempre. Assim disse o SENHOR: Se puderem ser medidos os céus para cima, e sondados os fundamentos da terra para baixo, também eu rejeitarei toda a semente de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o SENHOR." (Jeremias 31:35-37; cf também 33:20-26;. Salmo 89:30 -37).

Os israelitas poderiam olhar adiante para a salvação que Deus lhes traria. Nós podemos olhar para trás naquilo que Deus realizou por Seu Messias, o Senhor Jesus Cristo. Enquanto Israel aguarda o cumprimento pleno da aliança de Deus no Milênio, eles podem fazê-lo na confiança no Deus que cumpre suas obrigações. Nós, também, como cristãos podemos estar totalmente seguros na fidelidade de Deus.

A Aliança Noética, em muitos aspectos, prefigura a Nova Aliança. Consequentemente, a Nova Aliança cumpriu muito aquilo que a Aliança Noética havia antecipado. O derramamento de sangue tomou um novo significado na aliança de Noé. O derramamento do sangue de Cristo no Calvário, repentinamente, tornou o nono capítulo de Gênesis dentro foco.

Uma vez que todos os pactos bíblicos culminam na Nova Aliança que os abriga, vamos tomar alguns momentos para comparar as características da Nova Aliança com a Aliança de Noé.

A Nova Aliança é prometida em Jeremias 31:30-34:

Ao contrário, cada um morrerá pela sua iniqüidade, e de todo homem que comer uvas verdes os dentes se embotarão. Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém, a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior, diz o SENHOR; porque perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados."(Jeremias 31:30-34).

Nosso Senhor instituiu esta aliança pela Sua morte na cruz do Calvário. O sinal da aliança está na mesa do Senhor:

Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, e, abençoando- o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide até àquele Dia em que o beba de novo convosco no Reino de meu Pai." (Mateus 26:26-29).

O escritor aos Hebreus enfatizou que a Nova Aliança substituiu a Antiga Aliança (Mosaica) e é muito superior a ela.

A Nova Aliança, como a de Noé, foi iniciada por Deus, e foi realizada por Ele. Enquanto toda a carne se beneficiou da graça comum de Deus prometida na aliança de Noé, apenas aqueles que estão "em Cristo" se beneficiam das bênçãos da Nova Aliança. É a Nova Aliança "no seu sangue", que é vivida por aqueles que confiaram no sangue derramado de Cristo, o Cordeiro de Deus, para o perdão dos pecados e o dom da vida eterna. Nosso Senhor disse aos seus seguidores:

Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último Dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida." (João 6:53-55).

Com isso ele quis dizer que não se deve somente reconhecer a divindade de Cristo e Sua morte pelos pecadores, mas também fazer disto uma parte vital de sua vida, confiando somente em Cristo para a salvação.

A única condição para entrar nas bênçãos da Nova Aliança é a expressão da própria fé em Cristo, recebendo-o:

“Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome” (João 1:12).

“E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida”. (I João 5:11-12).

Como a aliança de Noé, aqueles que estão sob a Nova Aliança não precisam temer a futura explosão da ira divina. Assim como a Aliança de Noé garantiu que toda a vida nunca mais seria destruída por uma inundação, a Nova Aliança assegura ao homem que ele não enfrentará o derramamento da ira divina através de outros meios, tais como o fogo (II Pedro 3:10).

“... e a Jesus, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.” (Hebreus 12:24).

Quão maravilhosos e confortantes são os pactos. Eles permitem ao homem conhecer exatamente onde ele está com Deus. Não tente negociar seu próprio contrato com Deus, meu amigo. Você pode enfrentar a ira eterna de Deus pela confiança em si mesmo, ou você pode experimentar o perdão divino e a vida eterna por meio da fé em Cristo. Os termos que Deus estabeleceu para a paz são muito claros. Você já se rendeu a Ele? Que Deus lhe capacite nisto.

Tradução: Eric N. de Souza
Fonte: Tradução do artigo “The Noahic Covenant - A New Beginning (Genesis 8:20-9:17)”. Publicação original aqui
Leia a parte 1 aqui.