quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

R. J. Rushdoony - Teonomia vs Tirania


A escolha do homem está entre a teonomia e a autonomia, a lei de Deus contra a lei-própria. O homem, sendo um pecador, uma criatura caída, só pode criar leis e sociedades que, em sua forma desenvolvida, simplesmente aumentam o pecado do homem. O resultado é a tirania, decidir sem Deus.

O poder de fazer leis é a marca do senhorio, da soberania ou da divindade explícita ou implícita. De acordo com William Pitt, Conde de Chatham, o "poder ilimitado é capaz de corromper as mentes daqueles que o possuem, e isso eu sei, meus senhores, que onde termina a lei, começa a tirania". Edmund Burke, um ano mais tarde, em 1771, disse: "Quanto maior o poder, mais perigoso o abuso." Os dois homens fizeram suas observações em resposta ao caso de John Wilkes. Wilkes representava a vontade desenfreada das pessoas contra uma crença ainda persistente de uma lei mais elevada.

A palavra tirania vém do latim tyrrannus, significa, normalmente, governar por um poder opressivo. Mas, muito comumente, as tiranias foram populares. Assim, Adolf Hitler foi claramente um homem com apoio popular, como foi com Mussolini e outros. A tirania pode estar presente num partido eleito pelo povo, num grupo de homens, de modo que a tirania pode existir sem um único tirano. A essência da tirania é que a justiça e a lei ordenada e absoluta de Deus não prevalecem; somente a vontade de um homem, um grupo ou partido de homens, a maioria ou a minoria. A essência da tirania é que ela representa, de alguma forma, a vontade do homem e não da lei de Deus. Por outro lado, a teonomia significa, literalmente, a lei de Deus. No nosso tempo, a teonomia representa, para todas as muitas pessoas, a essência do mal, pois a vontade do homem é considerada a fonte da determinação, da lei e da moralidade.

Como diversas áreas da sociedade e povos entronizam a autonomia, eles destronam a teonomia. Eles substituiem Deus pelo homem. Assim, em uma igreja após outra, todas as intenções da lei de Deus foram substituídas pelas intenções do homem, e as regras e cânones da igreja tendem a prevalecer sobre a lei de Deus; especialmente em questões relativas à sexualidade, homossexualidade, aborto e eutanásia. A Tirania na igreja como no Estado está ligada a esta substituição da lei de Deus pela lei do homem.

A Tirania governa sem a lei de Deus, é inevitável pois, que a teonomia seja deixada de lado. A afirmação da necessidade por teonomia nos dias de hoje inflama descrentes e religiosos da mesma forma e, a diferença entre eles é, muitas vezes, apenas o nome.

Os tiranos são homens sérios, desde os dias da Torre de Babel. Eles acreditam que eles são os únicos capazes de salvar o mundo por meio de sua ordem mundial. Implícito em seus planejamentos permanece a crença de que a Bíblia está errada, e que Jesus Cristo também estava errado. Assim como o pensamento positivo é para um instrutor de vendas de carro uma forma de manter o aumento das vendas, Jesus era um pensador pessimista e um fracasso.

Os Trinta Tiranos da Grécia, alunos de Platão, queriam salvar a Grécia, e ajudaram a destruí-la. Muito do mal do mundo, apresenta-se como o verdadeiro bem, e a incapacidade de reconhecer a seriedade moral do mal pode ser mortal. A nova pornografia não se vê como um provedor de livros sujos, mas como fonte de verdadeira iluminação, como a base da libertação do homem. Seu fervor muitas vezes é marcado por um zelo missionário.

A tirania está aumentando em todo o mundo. O declínio do império soviético abriu caminho para outras tiranias mais extensas. O curso da guerra moral é mais mortal do que da guerra nuclear.

Jesus Cristo é o nosso Rei redentor, nosso legislador, desde a fundação do mundo. As loucas interpretações de Mateus 5:17-20, que procuram separar Jesus da lei, nos dizem mais sobre a cegueira e/ ou depravação de tais homens do que sobre a Bíblia. Porém, todos os homens devem ser ensinados. Nas palavras de Isaías: "Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali" (Is 28:10).

(Extraído de Institutas da Lei Bíblica, Vol. III, A intenção da lei, p. 205)

Fonte: http://chalcedon.edu/research/articles/theonomy-vs-tyranny-2/