sábado, 9 de novembro de 2013

François Turretini - Razão e Fé


Havendo estabelecido esse ponto, digo que à razão pertence o julgamento da discrição em questões de fé, quer subjetivamente (porquanto pertence somente ao intelecto saber e distinguir essas questões de fé), quer normalmente; e de fato com respeito à veracidade das conclusões em todas as proposições (conhecidas por meio da natureza ou por meio da revelação), mas com respeito à veracidade das proposições somente naquelas que são conhecidas por meio da natureza e, mesmo então, com a tríplice cautela:

   (1) Que o julgamento da razão não seja considerado indispensável, como se a teologia nada pudesse fazer sem ela.

   (2) Que a Palavra de Deus (na qual essas verdades estão reveladas também) seja considerada sempre como a regra primária e a razão como a secundária.

   (3) Que, quando a Palavra acrescenta algo desconhecido da natureza a uma coisa conhecida por meio da natureza, não devemos julgá-la por meio da natureza ou da razão, mas por meio da Palavra (não que a Palavra e a razão sejam contraditórias, mas a razão é aperfeiçoada pela Palavra). Porém, nas coisas conhecidas somente por meio da revelação (como o mistério da Trindade e o da encarnação, entre outros), a única regra é a Palavra de Deus, além ou acima da qual não somos sábios.

   Fonte: Extraído da excelente obra “Compêndio de Teologia Apologética” da Editora Cultura Cristã