quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Gordon Clark - Deus, autor do pecado?

Quando, consequentemente, a discussão chega a Deus como sendo o autor do pecado, tem-se de entender que a questão é: É Deus a causa imediata do pecado? Ou, mais claramente, Deus comete pecado? Essa é uma questão que diz respeito à santidade de Deus. Ora, deveria estar claro que Deus não comete pecado tanto quanto não está escrevendo estas palavras. Embora a traição de Cristo tenha sido ordenada desde a eternidade, como um meio de efetivar a expiação, foi Judas, não Deus, quem traiu Cristo. As causas secundárias na história não são eliminadas pela causalidade divina, mas, ao contrário, são confirmadas. E os atos dessas causas secundárias, tanto os justos quanto os pecaminosos, devem ser atribuídos imediatamente aos agentes; esses agentes é que são responsáveis.
Deus não é responsável nem pecaminoso, embora seja a única causa suprema de tudo. Ele não é pecaminoso porque, em primeiro lugar, tudo quanto Deus faz é justo e reto. É justo e reto simplesmente em virtude do fato de ser ele quem faz. Justiça ou retidão não é um padrão externo a Deus, ao qual ele está obrigado a se submeter. Retidão é aquilo que Deus faz. Uma vez que Deus causou Judas a trair Jesus, esse ato causal é reto e não pecaminoso. Por definição, Deus não pode pecar.

Fonte: trecho do excelente livro “Deus e o mal: o problema resolvido” da Editora Monergismo