quarta-feira, 8 de julho de 2015

Augustus Nicodemus - Inerrância bíblica



Ao afirmar que a Bíblia é inerrante, não estou negando que erros de copistas se introduziram em seu longo processo de transmissão. A inerrância é um atributo somente dos autógrafos, ou seja, do texto como originalmente produzido pelos autores inspirados por Deus. Muito embora hoje não tenhamos mais os autógrafos, pela providência divina podemos recuperar seu conteúdo, preservado nas cópias, quase que totalmente, através da ajuda de ferramentas como a baixa crítica ou a manuscritologia bíblica.
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Também não estou dizendo que os autores bíblicos receberam conhecimento pleno e onisciente acerca do mundo quando escreveram. Não creio em inspiração mecânica ou em ditado divino que anulou a humanidade dos autores. Eles se expressaram nos termos e dentro do conhecimento disponível em sua época. Assim, descrevem que o sol nasce num lado do céu e se põe no outro, ou ainda mencionam que o sol parou no céu, no livro de Josué. Em Levítico, é dito que a lebre rumina e que o morcego é uma ave. Sabemos que pelas convenções técnicas atuais lebres não ruminam e morcegos não são aves. Os autores bíblicos, entretanto, expressaram-se em linguagem coloquial, fenomenológica, como observadores. E, do ponto de vista do observador, o sol de fato se move no céu. Na antiguidade, todos os animais que faziam movimentos com a boca após comer pareciam ruminadores e todos os que possuíam asas e voavam eram aves!

Fonte: Trechos de “O que estão fazendo com a igreja” da Editora Mundo Cristão.