quarta-feira, 2 de setembro de 2015

R N Champlin - "Jesus, lembra-te de mim ..."

Ele não desejou instantânea libertação da cruz, onde, pelo contrário, estava convencido de que deveria morrer; mas desejou, única e exclusivamente, que nosso Senhor, em sua graça, se lembrasse dele, recebendo-o em seu reino. Sem dúvida não estava inteiramente isento de expectações messiânicas terrenas, e não estava pensando tanto no céu para onde iria nosso Senhor, após a sua morte; mas colocou-se pessoalmente no momento em que o Messias viesse, em sua glória real, a fim de estabelecer o seu reino sobre a face da terra, desejando que, então, despertado de seu sepulcro, pudesse entrar com Cristo na alegria de seu Senhor. Comparar com Mat. 16:28 (Lange, in loc.).
Ainda que somente disso tivesse consistido a oração do ladrão penitente, continuaria sendo uma das mais ousadas orações que já foram feitas, porquanto ousou crer na vitória final de um Rei, que naquele exato momento não demonstrava outra coisa além de seu poder de morrer. A única maneira de podermos entender tal declaração de fé é mediante o estudo da psicologia da conversão. A sua confiança não tinha qualquer base na experiência ou na observação, pois o que poderia ser mais negro do que o quadro que ele tanto viu como experimentou naqueles momentos? A alma convertida, entretanto, não precisa de amparos para ser encorajada a confiar. Só podemos crer, por conseguinte, que houve uma operação especial da graça no seu coração, e que ele falou alicerçado naquela fé que enxerga longe, antevendo um dia mais claro, que será avistado para sempre.
«Existe algo - de singularmente - tocante na confiança subentendida na forma desse apelo. Ele não pediu qualquer vantagem especial, nenhum lugar à mão direita ou à mão esquerda: nenhum lugar no palácio do rei. Contentava-se em não ser esquecido, certo de que, se o rei viesse a lembrar-se dele, de alguma maneira, fá-lo-ia com pensamentos de ternura e de compaixão». (Ellicott, in loc.).
O ladrão penitente não demonstrou qualquer coisa notável em seu conceito do reino, ao qual solicitava admissão. O que nos admira é a energia e o poder da sua confiança, que ele expressou a um rei moribundo, envolto em opróbrio, dor e zombaria, tendo exercido uma fé que não é lançada em eclipse por qualquer dos heróis da fé, mencionados no décimo primeiro capítulo da epístola aos Hebreus.

Fonte: “O Novo Testamento interpretado – versículo por versículo” da Editora Candeia