quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Vincent Cheung - A doutrina da reprovação é justa?


Por conta do raciocínio medíocre a questão da justiça é sempre levantada quando se considera a doutrina da reprovação. De diferentes formas, as objeções correspondem ao seguinte:
  1. A Bíblia ensina que Deus é justo.
  2. A doutrina da reprovação é injusta.
  3. Logo, a Bíblia não ensina a doutrina da reprovação. 

No entanto, a premissa (2) foi assumida sem qualquer justificativa. Por qual padrão de justiça uma pessoa determina se a doutrina da reprovação é justa ou injusta? Em contraste com o que está acima, o cristão raciocina da seguinte forma:
  1. A Bíblia ensina que Deus é justo.
  2. A Bíblia ensina a doutrina da reprovação.
  3. Logo, a doutrina da reprovação é justa.

O ponto central é se a Bíblia afirma a doutrina; a pessoa não deve assumir de antemão se a doutrina é justa ou injusta. Porque Deus é o único padrão de justiça, e a Bíblia afirma a doutrina da reprovação, resulta que a doutrina da reprovação é justa por definição. Diz Calvino:
Pois a vontade de Deus é a tal ponto a suprema regra de justiça, que tudo quanto queira, uma vez que o queira, tem de ser justo. Quando, pois, se pergunta por que o Senhor agiu assim, há de responder-se: Porque o quis. Porque, se prossigas além, indagando por que ele o quis, buscas algo maior e mais elevado que a vontade de Deus, o que não se pode achar. Portanto, contenha-se a temeridade humana e não busque o que não existe, para que não venha, quem sabe, a acontecer que aquilo que existe não ache. *
* João Calvino, As Institutas, Edição Clássica.

Fonte: “Questões últimas” da Editora Monergismo.